O ‘Stekma’ ou ‘Stekenna’ no Rito Adonhiramita

“O ‘Stekma’ ou ‘Stekenna’ no Rito Adonhiramita”

I. Definições e Contexto Histórico
O artigo analisa o símbolo do “Stekenna” (ou “Stekma”) no Rito Adonhiramita, com base na obra “Récueil Precieux de la Maçonnerie Adonhiramite” (1783–1787), de Louis Guillemain de Saint Victor. O termo refere-se ao “Ágnus Dei” (Cordeiro de Deus), representado como um cordeiro deitado sobre um livro com sete selos, associado ao Apocalipse bíblico (Capítulo 5). Os sete selos são interpretados como os sete graus da Maçonaria na época: três graus simbólicos (Aprendiz, Companheiro, Mestre) e quatro ordens sapienciais (Eleito Secreto, Eleito Escocês, Cavaleiro do Oriente, Rosa-Cruz). O Cordeiro simboliza o Rosa-Cruz (7º grau), digno de desvendar os mistérios mais profundos.

II. Origem do Termo “Stekenna”
A palavra “Stekenna” é uma corruptela com duas hipóteses etimológicas principais:

  1. Grego: Derivada de “Árníon Éstikós” (Cordeiro de Pé), do verbo “ístimi” (erguer-se, fixar-se), aludindo ao Cordeiro ressurreto no Apocalipse.

  2. Hebraico: Possível relação com “Shekinah” (presença divina), embora menos plausível.

III. O Cordeiro como Símbolo Universal
O cordeiro é um arquétipo presente em diversas culturas e religiões:

  • Cristianismo: Representa Jesus como “Cordeiro de Deus” (João 1:29), sacrifício redentor (Isaías 53:7) e renovação pascal.

  • Mistérios Antigos: Associado a ritos de renascimento (ex.: Mistérios de Dioniso) e inocência.

    • Maçonaria: Simboliza pureza, sacrifício pelo conhecimento e elevação espiritual, especialmente no Grau 17 do Rito Escocês Antigo e Aceito.

    IV. Representações do “Agnus Dei”
    O símbolo aparece em diversas formas:

    • Arte Sacra: Pinturas, esculturas e paramentos eclesiásticos (ex.: báculos medievais).

    • Maçonaria: Presente em insígnias do Rito Adonhiramita e no brasão do Grau 17 do REAA.

Conclusão
“Stekenna” é um símbolo de caráter universal, transcendendo culturas e instituições. No Rito Adonhiramita, encapsula a jornada iniciática maçônica — desde a busca pelo conhecimento (selos) até a iluminação espiritual (Cordeiro). Sua riqueza simbólica, herdada da tradição judaico-cristã e dos mistérios antigos, reforça a Maçonaria como guardiã de arquétipos atemporais, onde o sacrifício, a pureza e a ressurreição são pilares da transformação interior.

“O Cordeiro não é apenas um símbolo, mas um convite à transcendência: erguer-se, como o ‘Éstikós’, para desvendar os selos da própria existência.”

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Autor: Paulo Campos

  • Membro fundador da ARLS Pe. Vicente Feitosa, no Oriente de Caririaçu. Ao longo de sua jornada na Maçonaria, ocupou cargos de liderança, incluindo o de 2º Vigilante, e hoje exerce o cargo de Venerável Mestre da oficina. Sua trajetória reflete compromisso com os valores maçônicos, fraternidade e o crescimento da oficina. 🔺📜 #Maçonaria #GOB #Adonhiramita

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